sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Peregrinação - rotas brasileiras e o caminho de Santiago de Compostela


Nas últimas décadas, houve um 'boom' de circuitos para peregrinação no Brasil: Caminho do Sol (SP), Caminho da Luz (MG), Caminho da Fé (MG/SP), Caminho das Missões (RS), Passos de Anchieta (ES), Nos Passos do Padre Ibiapina (PA). É um fenômeno que tem suas raízes no descobrimento que os brasileiros fizeram da rotas do Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, a partir da leitura do livro O Diário de um Mago de Paulo Coelho. São várias rotas possíveis no Caminho à Santiago de Compostela: Caminho Francês, Caminho Português, Via de la Plata, Caminho do Norte, Caminho Aragonês etc. O Brasil é o país de fora da Europa que mais envia peregrinos a Compostela. Há até uma Associação dos Amigos do Caminho de Santiago (AACS-Brasil) com sede no Rio de Janeiro e regionais em todo o Brasil que ajuda na preparação de quem vai peregrinar na Espanha realizando reuniões, caminhadas, palestras e depoimentos de quem já foi para partilhar a experiência.

E parece que a experiência de caminhar pelas rotas de fé "jacobeas" (Jacob=Tiago) incorporou-se à espiritualidade das pessoas que por lá foram, a ponto de muitos criarem associações e rotas de peregrinação no Brasil.

Passos de Anchieta é o nome do roteiro que reconstitui a trilha habitualmente percorrida pelo Padre Anchieta nos seus deslocamentos da Vila de Rerigtiba, atual cidade de Anchieta, à Vila de Nossa Senhora da Vitória onde cuidava do Colégio de São Tiago. São 4 dias caminhando ao longo de uma extensa faixa litorânea de Anchieta a Vitória no total de 100km, com uma jornada média de 4 a 5 horas de caminhada.

O Caminho das Missões, no Rio Grande do Sul, é relacionado ao mito indígena da Terra Sem Males e as missões jesuíticas que foram utilizadas para catequizar e colonizar a América Latina. Há 3 roteiros para caminhadas, que depende da cidade por onde começa a peregrinação: 3 dias a partir de São Miguel das Missões, percorrendo 72km, 7 dias a partir de São Nicolau, totalizando 170km e por fim, 13 dias, saindo da cidade de São Borja perfazendo 325km. Todos finalizam na cidade de Santo Ângelo.

O Caminho do Sol é fundamentalmente inspirado no Caminho de Santiago. A cidade de Águas de São Pedro fundada no dia 25 de julho, dia Santiago, e local onde termina a peregrinação, tem como padroeiro o santo e apóstolo Tiago, em decreto promulgado por Dom Moacyr Vitti em 2003, bispo da diocese de Piracicaba. Em matéria do "Mais Você", programa de Ana Maria Braga na rede Globo, o Caminho do Sol foi descrito como "a versão paulista do Caminho de Santiago".

O idealizador do Caminho da Luz, Albino Neves, depois de peregrinar em Santiago, Palestina, Roma, Jordânia e Fátima (Portugal) foi intuído a criar o Caminho da Luz, uma rota de peregrinação que tem início em Tombos (Portal de Minas), onde está situada a quinta maior cachoeira em volume de queda d'água do país, e é concluído no Pico da Bandeira, o terceiro mais alto do país e o primeiro mais alto acessível. "São 195 quilômetros percorridos pelas montanhas de Minas em 7 dias de caminhada (ou em menos, se de bicicleta ou a cavalo), passando por fazendas centenárias, matas, cachoeiras, santuários e antigas estações ferroviárias."

O Caminho da Fé termina no Santuário de Aparecida do Norte, padroeira do Brasil e é a rota mais extensa dos caminhos brasileiros, alcançando 497km a partir da cidade de Descalvado no interior do estado de São Paulo, num circuito que também passa pelo território mineiro.

Nos Passos do Padre Ibiapina é o caminho mais recente, desenvolvido a partir e outubro de 2003, implementado com o aporte financeiro do Sebrae-Paraíba. Padre Ibiapina é exemplo de fé e obras, com as próprias mãos e ajuda do povo nordestino construiu escolas, casas, igrejas, hospitais, cemitérios, açudes, obras de assistência, entre outras coisas. São 4 roteiros ou percursos de 1 a 3 pernoites, dependendo da rota escolhida.

Assim como não existe um único Caminho de Santiago, "senão uma rede de caminhos que levam a Santiago, alguns mais conhecidos e por isso mesmo melhor estruturados, outros menos divulgados e com pouca ou nenhuma oferta de albergue de peregrinos", conforme indica Paulo César Giordano, mestre em Ciências da Religião e estudioso sobre o Caminho de Santiago de Compostela, assim também no Brasil concretiza-se uma "rede de caminhos" ou "rede de peregrinações" formada por aqueles que foram caminhar na Espanha. Este parece ser um fenômeno brasileiro, relacionado principalmente a classe média e média alta da população brasileira.

Vários peregrinos que vão a Compostela também percorrem os caminhos do Brasil e concordam que há diferenças entre caminhar lá e aqui: "O Caminho de Santiago é o grande sonho de um peregrino", diz Djair do Rio de Janeiro. Djair também é experiente em caminhos brasileiros, já foi 4 vezes ao Caminho da Luz, 2 vezes ao Caminho da Fé e 1 vez ao Passos de Anchieta:

"Caminhar nos caminhos brasileiros também é muito bom. A gente conhece o povo do lugar. A simpatia e a hospitalidade de quem vive no interior deste Brasil. Vê como é o dia a dia desta gente que retira da terra o seu sustento. Tenho o prazer de ter uma prosa com o pessoal destes rincões. Tomamos uma cachacinha, tomamos um café, comemos um pedaço de aipim, etc.etc.Tudo colhido ali mesmo.Quando estou nos caminhos brasileiros procuro sempre conversar muito com o pessoal do lugar. Fiz muitos amigos com os sitiantes que moram à beira do caminho. Quando volto, em alguns lugares sou convidado para o almoço."

Mas nem tudo são flores pelos caminhos. Uma peregrina que prefere não se identificar, percorreu dois caminhos do Brasil: do Sol e da Luz. E faz críticas quanto à organização dos caminhos brasileiros:

"Os caminhos brasileiros quase sempre têm "donos". A gente precisa pedir autorização para fazê-los. O Caminho do Sol tem que se pagar pela autorização de caminhar, além da despesa com hospedagem e comida. A infra-estrutura é precária e não se pode caminhar o quanto o caminhante quer ou pode e sim o quanto é necessário para chegar até o ponto onde tem lugar para dormir e comer. Os "hospitaleiros" não são peregrinos e visam, antes de tudo, ao lucro. Nos dois caminhos a decepção foi maior que o prazer de caminhar. Depois disso, fiquei muito reticente quanto a voltar a caminhar por aqui."

Independente das contradições que existem peregrinar é uma experiência marcante carregada de símbolos. O padre Armindo dos Santos Vaz exprime a experiência da peregrinação da seguinte forma:

"A peregrinação amplia e enriquece com uma experiência de Deus mais intensa, festiva e emotiva, os limites da nossa habitual visão do mundo. Pessoas de várias culturas, etnias, línguas, idades e procedências, marcadas por múltiplas situações humanas de sofrimento e de esperança, convergem para um ponto comum, ao encontro do outro, para partilhar pedaços de vida e procurar na peregrinação algo que está para além do ordinário e finito da existência humana. Assim antecipam a humanidade ideal e a fraternidade universal, reunida no Espírito do único Deus. A peregrinação exprime simbolicamente a grandiosa realidade do povo de Deus, que se mobiliza na procura do Deus vivo".

Paulo César, depois de pesquisar os livros publicados pelos peregrinos brasileiros, revela algumas peculiaridades:

"Em vários momentos se observa com clareza os elementos próprios do discurso da Nova Era e dos novos movimentos religiosos. Expressões como "energia" e "sinais do Universo" são muito recorrentes nos relatos, e aparecem para explicar, sempre de maneira muito subjetiva, uma experiência de ordem transcendental, por exemplo. É interessante notar que, se formos fazer uma comparação com relatos de peregrinos estrangeiros, por exemplo, de peregrinos espanhóis, veremos claramente que existe uma maneira bastante peculiar de escrever sobre a experiência jacobea entre os peregrinos brasileiros, indicando, possivelmente, um reflexo de como os brasileiros se relacionam com sua espiritualidade."

É certo que o milenar Caminho de Santiago foi o grande propulsor dos novos ou redescobertos caminhos brasileiros. O tempo "dirá" se isto é só uma moda ou um modo de viver espiritualidade.

Para saber mais informações sobre os caminhos:

Caminho de Santiago

Nos Passos do Padre Ibiapina

Caminho do Sol

Caminho da Luz

Passos de Anchieta

Caminho da Fé

Caminho das Missões

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Viajante que saiu de casa com menos de R$ 3 conhece o mundo


Ele saiu de sua casa, no Japão, com US$ 1,5 (cerca de R$ 2,6) para fazer uma viagem de bicicleta pelo seu país. Hoje, ele tem 2 mil euros no bolso - ganhos fazendo mágicas pelas ruas - e um álbum de fotos com registro de 37 países.

O viajante Keiichi Iwasaki, que está agora na Suíça, disse em entrevista ao G1 por e-mail (num inglês um tanto complicado de entender) que só voltará para casa depois de dar a volta ao mundo. Ele parabenizou o Brasil por sediar as Olimpiadas de 2016 e disse que gostaria de estar no país nessa época - embora admita que talvez passe pelo Rio de Janeiro antes disso.

Veja abaixo a íntegra da entrevista com Iwasaki:

G1 - Por que você decidiu viajar de bicicleta?

Keiichi Iwasaki - Eu queria ver o mundo, e não é a mesma coisa quando se vai de avião, pois é muito rápido para ver tudo. Se eu for do Japão ao Brasil, eu só posso ver as cidades da minha janela.


G1 - Há quantos anos você está viajando?

Keiichi Iwasaki - Eu comecei a viagem em 15 de abril de 2001, quando tinha 28 anos. No primeiro ano, eu viajei pelo Japão, e em 2002 eu fui para a Coreia do Sul.


G1 - Quanto de dinheiro você levou e quanto você tem agora no seu bolso?
Keiichi Iwasaki -
Quando comecei essa viagem eu tinha apenas 160 ienes (cerca de US$ 1,5) e não tinha nenhum cartão de crédito ou cheques de viagem. Eu ganhei dinheiro fazendo truques de mágica pelas ruas, como acabei de fazer onde estou, na Suíça. Ganhei 2 mil euros, e agora é a minha fase mais rica de toda a viagem, mas muitas vezes eu não tinha nem um centavo no caminho.

G1 - O que você leva com você?
Keiichi Iwasaki -
Eu tenho uma barraca, um saco de dormir, roupas (até de inverno), coisas para cozinhar, panelas e um pequeno fogão. Também tenho material digital para registrar minha viagem. Tudo pesa quase 25 kg e é suficiente para viver. Quando eu comecei a viagem, eu só tinha uma faca e uma escova de dente e uma câmera, mas agora as coisas aumentaram, odeio isso.


G1 - Você tem planos para visitar a América do Sul e o Brasil? Quando?
Keiichi Iwasaki -
Eu gostaria de ir para a América do Sul depois de ir à África. Estou ansioso para ir! Queria ver o Rio de Janeiro e o carnaval e acho que ver o Rio nas Olimpíadas - mas acho que passarei pela cidade antes de 2016.

G1 - Sua bicicleta é a mesma de quando você partiu?
Keiichi Iwasaki -
Essa é a minha quinta bicicleta. A primeira foi roubada em Hong Kong, a segunda quebrou na Tailândia, a terceira quebrou na Holanda e a quarta foi roubada na Espanha. Sempre uso bicicletas simples, e até a terceira, não usava com marchas. Agora estou usando uma com três marchas, mas não é preciso uma bicicleta especial para se viajar.


G1 - Você trabalha nos lugares em que para?
Keiichi Iwasaki - Geralmente eu faço truques de mágica nas ruas e ganho o dinheiro para viver. É suficiente no verão. Ano passado eu estava no sul da Espanha e consegui ganhar dinheiro para o verão todo. Mas há dois anos na Hungria era inverno e estava frio demais para fazer apresentações nas ruas, então eu trabalhei em um hotel durante a estação.

G1 - O que você acha que aprendeu nesses anos de viagem pelo mundo?
Keiichi Iwasaki -
Antes de começar a viagem eu tinha muito medo de conhecer outros países e hoje eu vejo que, apesar de a cultura e a língua serem diferentes, somos iguais. Além de ver a natureza, que é linda.

G1 - Quantos países você já visitou?
Keiichi Iwasaki -
Depois do Japão, eu fui para Coreia do Sul, China e Hong Kong, Vietnã, Camboja, Tailândia, Malásia, Cingapura, Laos, Nepal, Índia, Bangladesh, Paquistão, Irã, Azerbaijão, Geórgia, Turquia, Grécia, Bulgária, Macedônia, Albânia, Montenegro, Croácia, Bósnia, Sérvia, Hungria, Eslováquia, República Tcheca, Alemanha, Holanda, Bélgica, França, Inglaterra, Espanha, Portugal, Andorra e Suíça.

G1 - Você pretende voltar ao Japão? Quando?
Keiichi Iwasaki - Sim, após dar a volta no mundo eu gostaria de voltar ao Japão. mas não sei, acho que isso será daqui mais de cinco anos.


sexta-feira, 29 de maio de 2009

Trajeto do Litoral Trekking


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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Trekking e inspirações

Nosso projeto começou com a inquietação provocada por Fernando Pessoa: "Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

Me vi como um jovem típico da classe média, sonhando em viver mil aventuras mas me limitando a academia, natação, caminhadas na própria cidade.

Mas graças ao Fernando Pessoa ficamos inquietos, ávidos por viver as aventuras sonhadas e não correr o risco de ficarmos "à margem de nós mesmos."

Pensei em outros exemplos. Em frases que inspiram as pessoas a saírem de seu confortavel ritual diário e se lançarem a uma aventura como a nossa. A inspiração vem do esporte e dos poetas. Selecionei algumas:

Amyr Klink

"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV.

Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto.

Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver"

Mario Quintana

"A gente sempre deve sair à rua
como quem foge de casa,
como se estivessem abertos diante de nós
todos os caminhos do mundo"




Sir Edmund Hillary


"Não foi a montanha que conquistamos, mas a nós mesmos."Edmund Hillary junto com Tenzing Norgay, foram os primeiros a subirem o monte Everest, em 1953.

E foi assim, como descreveu Sir Edmund Hillary que nos sentimos ao vencer os 80 quilômetros de litoral. Como se tivessemos conquistado a nós mesmos.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Trekking, companhia e contratempos

Foi com esses dois figuras que eu fiz meu primeiro Trekking. Percorremos 80 quilômetros pelo litoral capixaba. Isso me faz lembrar que o essencial para uma boa viagem, seja ela de qualquer espécie, são companhias.


Nada pode ser mais frustrante para o Trekking do que um trajeto mal programado ou um companheiro molengão que a todo instante quebra o ritmo, fica machucado ou simplesmente de frescura.



No nosso último trekking aconteceu isso. O Miltinho a todo instante parava para ajeitar correia, acomodar a mochila, mancava, se queixava, parava, ficava para trás. Ta certo que a dele não era uma Deuter coitado, mas não era pra tanto. Era como caminhar com uma bola de ferro nos calcanhares. Você sentia seu ritmo quebrando. Você consegue apontar o molengão da foto? rs


Enquanto na primeira viagem foi aquele ritmo de escoteiro, caminhando, assoviando canções, sentindo a brisa. Na última, além da poluição da lagoa, do defeito da câmera e do Miltinho (bola de ferro) foi o contrário. Mas deu pra aproveitar. O bom desse esporte é isso. É que o trajeto já é o destino e a viagem em si.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Trajeto 2008/2009

Sejam bem vindos ao Litoral Trekking 2008/2009.


Neste fim de ano ganhamos um presente antecipado, uma parceria com a melhor marca de equipamentos para Trekking do mundo: a Deuter. Essa empresa alemã possui uma consistência histórica incomparável. Além de fabricarem bolsas desde o século XIX ainda forneceram equipamentos para os exércitos da Áustria e Alemanha durante a Segunda Grande Guerra e, atualmente, fornecem equipamentos para os mais variados tipos de esporte.


Além disso, definimos o trajeto a ser percorrido este ano: a Região dos Lagos. Serão 134 quilômetros percorridos por extensas praias de beleza única. De um lado, as extensas lagoas rodeadas pela Mata Atlântica, do outro, o mar azul, translúcido, esverdeado.


Começaremos nossa jornada na cidade de Saquarema onde habitavam índios Tamoios. O nome da cidade vem de "Socó-rema", denominação indígena, em virtude dos bandos de aves pernautas que habitavam a zona lacustre e que eram conhecidas pelo nome de "Socós".


Passaremos então por:

  • Araruama - cidade que empresta seu nome a extensa lagoa (segunda maior do Brasil)que nos acompanhará por quase todo o percurso

  • Iguaba Grande - cidade pequena com seus 15 mil habitantes possuindo uma grande variedade de animais ao redor de sua orla: garças brancas campeiras, garças-rosas (sazonal), biguás, patos d'água, garças noturnas, maçaricos e gaivotas.

  • São Pedro da Aldeia - a antiga Vila de Sapiatiba possui uma Igreja Centenária a matriz de São Pedro além de um clima tranquilo e inumeras praias lacustres

  • Cabo Frio - A maior cidade da região dos lagos também nos reserva história e belas praias.

  • Arraial do Cabo - No sentido oposto de Búzios, caminharemos pela primeira vez com o mar a nossa esquerda para visitar as belas praias desta região privilegiada pela natureza. Seus 35 km de praias são ótimos para banhos, para a prática de mergulho e esportes náuticos.

  • Búzios - o nome da cidade deriva de um tipo de concha que era encontrada em grande quantidade nas suas praias e até 1950, a península continou como pequena aldeia de pescadores. A história mudou a partir da década de 60, depois das férias de Brigitte Bardot em suas praias, o local passou a ser divulgado e cobiçado na Europa e no mundo. É nesta cidade que passaremos a virada do ano passeando pela Rua das Pedras.

  • Rio das Ostras - finalmente, depois de percorrer 134 quilômetros chegaremos a Rio das Ostras com seus 24 quilômetros de belas praias.

Desejamos a todos um ano novo repleto de aventuras!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Natal Antecipado

Foi com muito prazer que nós do Litoral Trek visitamos as crianças atingidas pela enchente em Muriaé-MG distribuindo brinquedos e levando um pouco de carinho e esperança em uma hora de extrema dificuldade.


Segundo a defesa civil mais de 10.000 pessoas estão desalojadas e pelo menos 50 pessoas desabrigadas devido a cheia do rio Muriaé.


Na imagem o professor de artes marciais e trekker Marcos Aurélio aparece ao lado de algumas das crianças presenteadas. De uso de sua Deuter AirConfort Pro ele percorrereu vários quilômetros para levar a luz do Natal para as crianças da cidade.


domingo, 14 de dezembro de 2008

Preparando-se para o esporte

Sempre que bolamos nossos roteiros sempre aparecem alguns entusiasmados que logo se prontificam a participar. A maioria nem aparece no dia. Uns por irresponsabilidade, outros por terem outros compromissos mas a maioria tem medo que o corpo não agüente.

Para a prática do Trekking é de extrema importância a preparação física. Recentemente, a Associação Americana do Coração e o Colégio Americano de Ciências do Esporte divulgaram os benefícios que meia hora de exercício aeróbico podem trazer ao corpo.
De acordo com estas entidades, um adulto deve acumular no mínimo 30 minutos de atividade aeróbica moderada por dia, entre cinco e sete vezes por semana. Como moderada podemos compreender a natação, o trekking, a caminhada com ritmo, corrida ou bicicleta.

Os cientistas afirmam que quando o assunto é saúde, a assiduidade da prática de exercícios é fundamental e até mais importante que a intensidade. Aliás, o esportista de final de semana, que quer recuperar todo tempo perdido corre mais riscos e não acumula os benefícios da prática de um esporte regular, que são muitos:
  • Evita doenças como obesidade, diabetes tipo II e cardiopatias

  • Acelera o metabolismo

  • Melhora o condicionamento físico

  • Tonifica a musculatura

  • Oxigena o cérebro

Para a prática do Trekking é fundamental que a saúde esteja em dia. Pelas fotos, vocês podem imaginar que muitas vezes nos encontramos em lugares inóspitos longe de hotéis, padarias, hospitais ou qualquer outro luxo e necessidade da vida urbana. As distâncias só podem ser vencidas com suas próprias pernas. Por isso, antes de sair de casa, procure cuidar da manutenção do seu principal equipamento: seu corpo.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Culinária local - moqueca capixaba

Se você viajou pela costa do Espírito Santo já deve ter ouvido a frase: "Moqueca só a capixaba, o resto é peixada". Poisé, este prato típico do litoral sul do estado é uma das comidas marcantes do nosso trajeto.

Segundo o folclorista Câmara Cascudo, a moqueca tradicional obrigatoriamente deve levar leite-de-côco e azeite de dendê. A receita capixaba não faz uso desses ingredientes.
Bem temperada com coentro, cebolinha, tomate, azeite, sal, pimenta e suco de limão essa iguaria caiçara nos foi oferecida por pescadores na praia do Monte Aghá - próxima a cidade de Piúma.

Aliás foi nessa praia onde passamos mais dias. Recebemos dicas para o camping selvagem, banhos sob o monte Aghá em uma bica com água quentinha, desfrutamos de ótimas companhias e, claro, degustamos a verdadeira moqueca capixaba preparada pelos próprios pescadores.

Segundo os campistas, a praia é utilizada para a prática do camping selvagem a mais de uma década. No verão, sempre é possível encontrar um bom número de barracas acampadas na praia do Monte Aghá. O monte Aghá é essa rocha que se encontra ao fundo na foto acima.

Os moradores do local permitem que os campistas peguem água e tomem banho em sua propriedade e contam que a pouco mais de 2 anos (fizemos a viagem em 2008) um padre morreu tentando escala-la.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Nos passos de Anchieta



Foi com muito prazer que nós do Litoral Trekking percorremos "os passos de Anchieta" o primeiro caminho cristão das Américas.

De acordo com a ABAPA (Associação Brasileira dos Amigos dos Passos de Anchieta) o roteiro é o quarto desse tipo existente no mundo – os outros três são os famosos caminhos de Santiago de Compostela, na Espanha; a trilha da Terra Santa, em Jerusalém; e a de Roma, na Itália.

O caminho reconstitui a trilha habitualmente percorrida pelo Padre Anchieta nos seus deslocamentos da Vila de Rerigtiba , atual cidade de Anchieta, á Vila de Nossa Senhora da Vitória onde cuidava do Colégio de São Tiago, em caminhadas quinzenais que ele empreendia nos últimos anos de sua vida quando preferiu recolher-se à vila indígena nas costas do Espírito Santo.

Há pelo caminho sinalização (como você pode ver na foto que ilustra esse post) que guia o peregrino pelas mesmas praias (sorte dele que na época não existia o saco plástico, pois as praias do caminho estão repletas de lixo) que percorreu o mais famosos dos jesuítas do Brasil regularmente duas vezes por mês.

A reconstituição histórica do projeto não foi difícil uma vez que os jesuítas se notabilizavam como andarilhos que cobriam longas distâncias pelas praias, valendo-se principalmente das marés vazantes, quando a areia solada oferecia menor dificuldade para caminhar. Por isso, basta caminhar pela orla junto ao mar para percorrer o mesmo trecho que a mais de 450 anos atrás percorria Anchieta.

Durante o evento, que é realizada sempre a partir do feriado de Corpus Christi, inúmeras pessoas oferecem frutas, água e abrigo pelo caminho. Vale a pena vivenciar essa experiência histórica pelas praias capixabas.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Trekking e Equipamentos



Na hora de sair para a natureza e praticar algum esporte de aventura ou viajar, um dos assessórios mais importantes é a mochila. Seria uma aventura (no mal sentido) escolher um equipamento frágil pois, se no meio do caminho ela falhar tudo vai por água abaixo.


Ela é como uma concha pois nela carregamos nosso próprio abrigo (a barraca) além de alimentos, roupas, toalha, kit de primeiros socorros, higiene pessoal. Imagine se de uma hora pra outra tudo isso cai no chão, ou se você precisa andar mais 8 kilometros com uma das alças arrebentadas.

Existem dois tipos básicos de Mochila: de ataque e cargueiras. As utilizadas em Trekking são naturalmente estas últimas pois possuem mais espaço para armazenar a bagagem, compartimento para transporte de reservatório de água, aberturas laterais, alças anatômicas, costado ergonômico e tecidos inteligentes que maximizam sua performance.

Lembre-se ela nunca deve ser mais larga que seus ombros e nunca maior que sua cabeça e jamais deve ultrapassar 30% do seu peso. Exitem marcas nacionais e importadas que atendem bem ao nosso esporte. Na minha opinião a marca Deuter (alemã) é incomparavel não só no conforto (sistema air confort), como na durabilidade e principalmente acabamento. É nos detalhes que essa mochila conquista os amantes do esporte: as cores, design, sistema de ventilação, fixação de sistema de hidratação, capa de chuva embutida. Basta experimentar uma Deuter pra saber como ela é uma mochila fantástica.

As marcas nacionais também tem um bom desempenho. A brasileira Trilhas e Rumos possue mochilas resistentes e usuais, com duas aberturas facilitando o acesso aos materiais guardados. Além disso fornecem manutenção durante a garantia. Tenho um amigo que possui uma de 80 litros e nunca precisou de nenhum retoque. A Nautika também fabrica mochilas de 60, 75 e 80 litros sendo talvez a marca nacional mais usada devido aos preços mais baixos.

Deixarei abaixo os sites das principais marcas. Espero ter ajudado e boa caminhada:


Desejo a todos uma ótima aventura!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Projeto Tamar de Anchieta

Um dos pontos altos da viagem foi a visita ao Projeto Tamar que funciona desde outubro de 2003. Com sede na praia da Guanabara na cidade de Anchieta o projeto monitora 34 quilômetros de praias, protegendo fêmeas, ninhos e filhotes da Tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) e também juvenis de Tartaruga-verde (Chelonia mydas) e de-pente (Eretmochelys imbricata).




A cada temporada são protegidos em média 66 ninhos e 6,3 mil filhotes. Cerca de 80% das desovas ocorrem em um trecho de 3,4 quilômetros da praia da Guanabara, maior sítio reprodutivo no sul do Estado, transformada em 1998 em Área de Proteção Ambiental Municipal.




A sede dispõe de um Centro de Visitantes com exposição educativa e, durante as férias de verão e no mês de Julho, loja de produtos TAMAR. A meta é estender os trabalhos ao litoral sul do Estado, incluindo ações de fomento ao desenvolvimento pesqueiro e comunitário.



Durante a primeira edição do "Litoral Trekking" nós visitamos a base de Anchieta. Nesta segunda edição pretendemos novamente passar por uma base na Bacia de Campos-RJ. Aguardamos vocês nesta nova aventura.

Siri branco (arenaeus cribarius)



Um dos animais mais comuns por todo o trajeto foi sem sombra de dúvidas o Siri Branco ou Maria Farinha como o chamam na região.

Este simpático crustáceo vive nas praias de areais brancas ao longo de todo o trajeto percorrido fazendo buracos na areia onde constroem seus esconderijos. Recentemente foi demonstrado que esta espécie é útil como bio-indicadora, podendo representar uma ferramenta para a análise de impactos ambientais. Seu raleamento em determinadas regiões é um indicador de desequilíbrio ambiental.

As cores claras destes animais ajudam a refletir a luz do sol, diminuindo a retenção de calor e, conseqüentemente, permitindo que estas espécies possam se adaptar naturalmente às grandes oscilações térmicas. Outro dado curioso: os animais da praia, em geral, têm a capacidade de se enterrarem na areia rapidamente, escapando, assim, do impacto direto das ondas do mar.

Preservação das praias



O território brasileiro abriga 8 mil kilômetros de costa, uma das maiores faixas litorâneas do mundo. Nosso desafio é harmonizar o prazer e o bem estar proporcionado pela beleza dessa orla com a ação humana.

Desde a chegada dos colonizadores, a história se repete. No litoral, foram construídas cidades, e portos, derrubadas florestas e abertas estradas. As áreas banhadas pelo mar se tornaram pólos da economia nacional e geraram os primeiros problemas ambientais.

Hoje eles são muitos. Nas áreas urbanas dentro do trajeto do "Litoral Trekking" podemos observar muito lixo pela orla, esgoto sem tratamento e a ocupação urbana desordenada que altera o transporte natural de sedimentos pra outras praias.

O projeto TAMAR alerta para a proliferação de lixo nos mares. O perigo maior é o aumento vertiginoso da mortalidade de tartarugas marinhas. Segundo o biólogo Douglas Zeppelini afirmou que quase 30% das mortes dos animais têm como causa a poluição. Segundo ele, materiais como fios de náilon e plástico fica preso em algas, que são os principais alimentos das tartarugas. Como não conseguem diferenciar o lixo, as tartarugas ingerem o material e morrem.

Apenas 0,4% da faixa litorânea do país, incluindo o mar territorial, é coberta por parques nacionais, reservas ecológicas ou outras áreas de proteção. Durante nosso projeto cruzamos parte do Parque Estadual de Setiba ou Parque Estadual Paulo César Vinha. É um parque situado no litoral, a 11 quilômetros ao norte de Guarapari, ao longo da Rodovia do Sol até Vila Velha.
A praia de Igaboa entre as cidades de Itaoca e Piúma percorrida pelo nosso projeto é um exemplo de limpeza e preservação.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

História do projeto



História do Projeto - Litoral Trekking foi idealizado por três amigos de Muriaé-MG com o objetivo de traçar rotas pela exuberante costa brasileira. Nossa primeira aventura foi marcada mais por: "erros e acertos" do que propriamente um planejamento perfeito.
Confesso que a inspiração para dar início a esse projeto começou ao ler Fernando Pessoa: "Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
E foi pensando assim, na marca indelével do tempo e como nossa história fica gravada nele que Igor Guedes (Historiador graduado pela UFOP), Henrique Vieira Campos (Eng. de Alimentos graduado pela UFV) e Marcos Aurélio (desenhista e tricampeão mundial de Hapkido) se lançaram a um trajeto de 80 quilômetros pelo litoral capixaba.

O percurso foi feito em 5 dias em uma média de 16 quilômetros diários. Os equipamentos: 2 mochilas da Náutika (uma delas arrebentou), uma mochila comum (que arrebentou no caminho), uma barraca iglu Náutika.

Estabelecemos nosso trajeto por praias com forte turismo (procuradas principalmente por mineiros e paulistas). Foi feito de um levantamento histórico, ecológico, sócio-ambiental. Além disso, procuramos fotografar a fauna, os costumes e, principalmente, incentivar a prática desse esporte fantástico: o trekking.
Diferentemente do litoral paulista e carioca a costa do Espírito Santo não apresenta a exuberância da Mata Atlântica rente ao mar, mas uma mata de restinga que se caracteriza por uma vegetação rasteira e arbustiva.
Nos próximos posts você poderá ver detalhes desta parte do litoral capixaba sob a ótica dos três integrantes do "Litoral Trekking"

As cidades percorridas pelo trajeto foram:
  • Marataízes
  • Itaoca
  • Itaipava
  • Piúma
  • Iriri
  • Anchieta
  • Meaípe
  • Guarapari

Neste início do ano de 2009 pretendemos repetir a façanha do ano de 2008 com um novo trajeto. Aguarde as fotos e aventuras.